Evil prince?

  • Feb. 2nd, 2010 at 6:43 AM

- Não é muito comum meus sonhos serem repletos de simbolismos ou metáforas. Porém também não saberia dizer como eles são normalmente já que só lembro dos que foram mais significativos.

- Acordei hoje às 5am depois de um desses sonhos rpgísticos odiáveis, mas o simbolismo dele foi interessante. O sonho era sobre um príncipe que havia se apaixonado por uma amazona do reino, só que ele se casa com uma princesa de verdade e eles não ficam juntos. Porém aparentemente (eu não vi isso) havia um mago ou demônio sei lá que sabia disso, então ele lançou uma magia (daquele tipo em que letrinhas azuladas ficam ao redor da pessoa formando um círculo ao redor dela) onde uma adaga era apontada para o ventre de cada uma, então ele dizia: "escolha aquela que você vai salvar, príncipe" e na intenção "a que vai condenar". O príncipe olha para as duas e não hesita em escolher a princesa, então a adaga perfura a amazona e o sonho termina comigo interferindo mentalmente com outros personagens e a amazona tendo como últimos pensamentos através do olhar que lançava ao príncipe "por que...? / será que eu entendo isso..? / ...É porque ela é mais importante...? / É porque não importa se eu nunca tiver um filho, enquanto o reino precisa de um herdeiro...? / ...Eu não acho que possa te perdoar por isso...".

- Dizem que a interpretação do sonho não serve muito com pós análises, da mesma forma que costuma dar errado fazer inferências sobre atos impensados depois. O que vale é a primeira impressão. Não que eu creia ou duvide disso de algum jeito "por a mão no fogo", mas a minha primeira impressão foi a de que nós não sabemos o quanto realmente nossos sentimentos são verdadeiros, até sermos traídos.

- Uma pós análise me fez pensar que eu estou virando algo que jurei nunca ser quando estava apaixonada: budista. Eu rejeitava o budismo por aquela frase de que o amor é apego e portanto tráz o maior de todos os sofrimentos. Aprendi uma palavra que explica o inverso dessa rejeição, é a palavra transcender. Factualmente, porém, eu analiso com ironia: sou uma dessas fracotes que não conseguiu o que queria e agora precisa ficar se consolando com palavras bonitas pra não achar que foi tudo em vão.

- Antes que eu me esqueça, é claro que jamais venderei minha "alma" a nenhuma religião. O budismo foi o exemplo que me veio a cabeça por causa da situação de apego entre os personagens.

- A segunda coisa que me veio a mente, foi sobre o último sentimento de dúvida extrema da amazona antes de eu acordar. Uma força revoltante que começava a juntar os fatos e a decidir, um microsegundo onde uma fagulha de confusão, medo e... rancor (?) poderia virar qualquer coisa. Ódio, rejeição, desprezo, sofrimento, perdão...?

- Talvez seja por isso que o perdão, nas religiões cristãs, simbolize tanto o amor. E também seja mencionado como o caminho mais difícil. Naquele momento, parecia a escolha mais óbvia, e mesmo assim, a mais difícil de conceder.

- E também, é óbvio, que diferente do que normalmente eu esperaria do amor, não é um sentimento de apego.

- E quem era que estava dizendo que o que mais queria era ser livre?

- Quem foi que andou discursando sobre querer que as pessoas fossem elas mesmas e pudesse aceitá-las assim de verdade?

- ...Uma outra pós análise teria como visão a da princesa (que estava grávida por sinal e o príncipe sabia) e do príncipe. Ao contrário dos cavaleiros eles tinham obrigações e objetivos diferentes como monarcas, suas decisões individuais não tem o mesmo peso independente dos outros personagens e este fato também acaba por torná-los prisioneiros de suas escolhas de um modo mais angustiante, a não ser é claro que eles tenham a mente com doses boas de calculismo e frieza. Esse era o príncipe. O resto, ficou pra imaginação. Eu imaginei a raiva do melhor amigo da amazona (sim, ele gostava dela como todos os pobres melhores amigos) pesando quanta humilhação e orgulho próprio ela teve que abrir mão para se tornar algo tipo "amante", etc...

- Mas isso é outra história.

Choose

  • Jan. 29th, 2010 at 8:11 PM

- Ontem eu estava feliz. Não me lembro exatamente do que me fez pensar no que me deixou feliz, mas era algo sobre decidir as coisas.

- O contexto dos pensamentos eram, como todos os dias nós precisávamos decidir várias coisas... Às vezes que pareciam mínimas, outras muito difíceis e com consequências temerárias... Mesmo assim, havia uma época em que eu preferia não decidir. E aí nada nascia e tudo "tanto fazia". Naquele momento, parecia que eu estava no canto oposto, estava decidindo tantas coisas, e recebendo as consequências tão claramente de modo que podia analisar e decidir de novo o que fazer a partir dali, que a vida parecia vida de novo, uma que eu podia chamar de minha.

- Crescimento tardio, sim, sim...

- O que me deixou interessada era como a preocupação com decidir tinha dado lugar a vontade de decidir. Por exemplo, existem pessoas, eu fui uma delas por muito tempo e de vez em quando ainda volto a esse estado, que gostariam de tomar apenas uma decisão. Como um caminho certo, uma única escolha que teria como consequências a serem colhidas eternamente. Mas não é assim. Imagine por exemplo decidir com o mesmo valor, quanto tempo irá se prender a uma sensação ruim causada por alguma situação qualquer no dia a dia e quanto tempo irá se dedicar para salvar o mundo com gestos pequenos? Por exemplo de resposta, decidir que vai deixar pra lá o rancor e pensar em coisas que te façam melhor e que jogar uma casca de balinha no chão não faz mal.

- Tá, isso não tá muito claro, mas a idéia era apenas: de acordo com o contexto, é que é preciso decidir o que deve ser passageiro e o que exige planejamento a longo prazo. Uma decisão nunca deve ter uma receita de bolo, e isso cansa se pensar em como vai fazê-lo, pensar demais em todas as decisões que vai ter que ponderar antes de tomar uma atitude... procurar bom senso no meio da pressa...

- Eu estava pensando outro dia, que eu me cansava demais por dar 100% de atenção a tudo o tempo todo em que precisava estar ligada e depois não conseguia me lembrar de um modo geral de nenhuma delas. Então decidi dar 1% de atenção a cada uma das etapas até ela ser 100% concluída. Bem, ainda é 100% não é? E cansou bem menos.

- Em auto ajuda, isso se chama saber direcionar energias.

- Em economia, saber alocar recursos e trabalho.

- E assim Kahr vai aprendendo a administrar a própria vida...

Making a connection

  • Jan. 23rd, 2010 at 4:30 PM

- Em casa, lavando roupa e relendo Furuba. Olhando no espelho que esse mês, pela primeira vez em muito tempo, surgiram espinhas de desequilíbrio hormonal causado por estresse psicológico. Estou contando os dias até os cabelos brancos começarem a substituir os outrora escuros.

- Envelhecer sempre é um drama.

- Hoje de manhã sentei para meditar. Esse excesso de pensamentos que vem me envenenando desde a semana retrasada estava me impedindo de consultar minhas idéias mais sãs. Sei que elas existem, como livros luxuosos que eu comprei e separei para consultar depois, mas que sumiram numa pilha de bagunças acumuladas. Então já que não conseguia encontrar nem mesmo um caminho lógico para elas, resolvi me esforçar para não pensar em nada. A escuridão dos olhos fechados, o som da chuva caindo lá fora. Qualquer coisa para me trazer ao agora, e me tirar das minhas análises ressentidas dos últimos dias. Erros que suspeito podem nem ser mesmo erros, julgamentos que me fazem sofrer.

- Lembrei-me do Alex hoje enquanto estendia roupas. Quando ele me disse "Sinto uma ânsia de ser logo útil." Acho que na época eu já não queria mais me sentir útil. Pensar em utilidade sempre me relembra de idéias sobre só ser amada e necessária quando a existência é útil. E eu embora sorria dizendo que adoto e aprovo esta idéia por ela ser uma lógica natural do mundo - de modo que não adianta lutar contra ela - por dentro estou sempre desprezando quem a aplica, incluindo a mim mesma. Parte de mim já sabe disso: que não é que o mundo seja assim, sou eu quem o interpreto errado, mas não muda o resultado que é o fato de o mundo chegar e se apresentar a mim dessa forma, dentro da minha cabeça onde a realidade se forma, paralela aos fatos sem nunca se encontrar e formar um equilíbrio entre o que eu espero e o que é.

- Eu anseio por coisas impossíveis. Eu achava que era amor, do tipo homem x mulher - família e filhos. Muito mais do que sucesso material, realização pessoal, como forma de auto-afirmação. Mas acho que eu ainda sou criança nesse aspecto. Eu anseio por amor de mãe, aquele bonito dos livros e histórias, incondicional e sobrehumano. Esse sei que nunca vou ter. Restava então perseguir os outros dois, o que se pode retribuir como igual quando se olha um nos olhos do outro, ou o único que dizem ser verdadeiramente incondicional porque supera as falhas da natureza humana.

- A medida que envelheço, eu perco a esperança do primeiro.

- A medida em que me conheço e testo a mim mesma na realidade, eu perco a esperança do segundo.

- Um cérebro tão grande, aspirações pequenas, e uma incapacidade enorme de se mover e criar.

- É isso o que me define atualmente.

- Acho que me acostumei demais as catástrofes. As coisas mais marcantes na minha vida, vieram como grandes terremotos ou uma dessas respostas bruscas e avassaladoras da natureza. Mesmo que eu saiba, como quando pensei no que dizer ao Alex naquele dia, que na natureza as mudanças ocorram de forma gradual.

- Me acostumei a desejar ter as coisas com as formas que concebi, e na hora em que as desejei. Quanto mais envelheço, menos é assim, e para alguém riquinha e mimada é difícil treinar a capacidade de aceitação, de não ter as coisas como se quer sempre, de ter que se resignar a não ter boa parte delas nunca.

- Bem, fim.

Restart

  • Jan. 22nd, 2010 at 12:16 AM

- Crônicas das vezes que o mundo me rejeitou seria um título interessante para um novo livro.

- Sei, é o preço a se pagar pela própria dependência, de não ser o próprio eixo e ficar girando em torno dos outros... Enfim, foi só uma observação de adulto já frustrado.

- Pensar em saber meus limites não anda me ajudando, então eu vim fazer um apanhado do blog e reler, para lembrar quem eu fui e como cheguei até aqui.

- Problemas de saúde começando a aparecer... Bom.

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Karen Maeda

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